Onde estão as pinturas?

Estranho ao ver uma chaleira no teto, budas girando ao redor do Pateta de Walt Disney, folhas de papel celofane azul nas vidraças, palitos de fósforo queimados com pedras de dominó... Mas onde estarão as pinturas no Estúdio de Silvio Dworecki? Agnaldo Farias ao se referir à obra de Dworecki como um“processo que exalta os vários materiais empregados, a expressividade dos pigmentos, do papel, dos objetos salvados do anonimato.” nos facilita o acesso a este território. Dworecki se vale das liberdades da arte contemporânea. Trabalha com múltiplas mídias. Não busca um estilo, mas constantemente recolhe citações, objetos e imagens com os quais constrói sua obra. Retoma com frequência suas diferentes séries feitas em variadas técnicas e midias. Muitas de suas obras são efêmeras. E acrescenta “Eu e meus contemporâneos, fomos contemplados com a ampliação do território das liberdades feita pela Arte Conceitual ou Arte Povera, como preferíamos chamar.”

Encontram-se em seu currículo alguns sinais de suas incursões em várias técnicas. Pinturas em VENTOS DE LUZ, sua mostra individual de pintura no Museu de Arte de São Paulo-MASP em 1992 e na BIENAL de São Paulo de 1967. Esculturas na PINACOTECA DE SÃO PAULO em 1997 na exposição PANEJAMENTOS. Cenário de A Casa de Bernarda Alba de Garcia Lorca dirigido por Eugênia Tereza de Andrade pela qual recebe o PRÊMIO DE CENÓGRAFO REVELAÇÃO da Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA em 1984. E ainda fotos como as da cidade de São Paulo que estarão em LIGARDESLUGAR, nas ruas desta cidade a partir de outubro próximo. É pois como diz Evandro Carlos Jardim “... no desenho, na pintura e na escultura. Na cenografia e na gravura. Na ampla disponibilidade dos meios e dos procedimentos. Tais qualidades nos surpreendem.”.

Dworecki torna-se livre-docente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde leciona, com Enredados, tese que apresenta sua produção artística de 2000 até 2010, na qual trabalha com os “objetos salvados do anonimato” a que Agnaldo Farias se referia. O denominador comum entre o artista e o artista-professor está na intenção de não mecanizar-se e acrescenta “Afinal, a arte não é para embelezar ou agradar, é para acordar e manter a atenção.” Despertando a atenção, caminha em sua arte e também em busca das linguagens pessoais dos seus alunos. Orgulha-se de tantos e tão bons artistas que frequentaram suas aulas.

Vai-se ao Estúdio de Silvio Dworecki em busca de pinturas, mas descobre-se muito mais, desvenda-se o artista e seus modos de trabalhar. Mas já no fim da visita, encontro uma tela esticada sobre uma parede de madeira no fundo do salão e ao seu lado várias obras em andamento e outras finalizadas: enfim as pinturas! Agora é só “Ver para viver.” como disse o arquiteto Paulo Mendes da Rocha sobre a obra deste artista.

 

SILVIO DWORECKI


São Paulo 1949

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

1980

Da escolha da cor à construção da Paisagem
Galeria SESC Paulista     São Paulo


1982

Especulando, Jaraguá e Angra
Paulo Figueiredo Galeria de Arte     São Paulo


1985

Alguns desenhos destes 20 anos
Itaú Galeria e SESC     São Carlos

1992

Ventos de Luz
Museu de Arte de São Paulo/ MASP     São Paulo

1997

Panejamentos
Pinacoteca do Estado     São Paulo

2008

Livros de Artista e Monotipias
Galeria Gravura Brasileira     São Paulo

2012

LIGAR DESLUGAR

Intervenção no espaço público. 10 painéis com fotos de Silvio Dworecki, na frente e no verso, em 10 locais do Centro da Cidade de São Paulo. 

 

PRÊMIOS

1966

1° Prêmio de Pintura
Salão de Arte Moderna de Campinas     Campinas

1967

Prêmio de melhor texto no Concurso de Trabalhos críticos sobre a peça teatral “Marat Sade” de Peter Weiss
Teatro Bela Vista     São Paulo

1972

Prêmio de Aquisição em Pintura 8º Salão de Arte Contemporânea de Campinas
Museu de Arte de Contemporânea     Campinas

1974

Prêmio Rubens Martins de Comunicação Visual 74COMGÁS
Sistema de Comunicação Visual da Avenida Paulista     São Paulo

1979

Prêmio de Aquisição do XI Salão de Arte Contemporânea
Prefeitura do Município de Piracicaba

1984

Prêmio de Cenógrafo revelação Cenógrafo do espetáculo teatral
“A Casa de Bernardo Alba” de Frederico Garcia Lorca
Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA

 

COLETIVAS E SALÕES

1965

XIV Salão Paulista de Arte Moderna
Galeria Prestes Maia     São Paulo

1966

1° Salão de Arte Moderna de Campinas
Prêmio de pintura     Campinas

1967

IX Bienal Internacional de São Paulo
Representação Brasileira Seção de Pintura     São Paulo

1972

Salão da jovem arte contemporânea
Museu de Arte Contemporânea – MAC/USP     São Paulo

8° Salão de Arte Contemporânea de Campinas
Prêmio de Aquisição em Pintura     Campinas

II Bienal de Artes Plásticas de Santos
Seção de Fotografia     Santos

1979

Aquarela do Brasil
Grande Galeria do Palácio das Artes     Belo Horizonte

1980

II Salão Nacional de Artes Plásticas
Rio de Janeiro

1981

VI Salão de Arte de Ribeirão Preto/ SARP
Ribeirão Preto

1983

Avenida Paulista
Galeria SESC Paulista     São Paulo

1989

Escultura da Luz
Projeto com Sandra Valente e João Valente arquitetos

Praça Thomaz Edson
Avenida da Consolação sobre Avenida Paulista
Patrocínio General Eletric GE
Apoio Prefeitura do Município de São Paulo.
São Paulo

1990

EXPOFAU 90
Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo - FAU USP     São Paulo

1993

EXPOFAU 93
Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo - FAU USP     São Paulo

1994

Iconografia e arte do carnaval nos séculos XIX e XX
Pinacoteca do Estado     São Paulo

1994

SENSES Projeto Arte Atual Brasil
Renato Magalhães Gouvêa – Escritório de Arte/Studio     São Paulo

1995

Aquarela FASM
Núcleo de Aquarelas da Faculdade Santa Marcelina     São Paulo

Projeto Contato - Campanha de sensibilização sobre a AIDS
SESC     São Paulo

1996

UBU, a patafísica nos trópicos
Grupo Teatral do Ornitorrinco
Museu de Arte Brasileira/ MAB
Fundação Armando Álvares Penteado     São Paulo

2002

México imaginário: o olhar do artista brasileiro
Casa das Rosas da Secretaria do Estado da Cultura     São Paulo

Ópera-Aberta, Celebração
Casa das Rosas da Secretaria do Estado da Cultura     São Paulo

2004

Uma homenagem a Ianelli
Museu Brasileiro da Escultura MUBE     São Paulo

2005

Année du Brésil en France
Domaine de L`Amirante     Paris

2006

Vlado 30 Anos – em memória do jornalista Vladimir Herzog, no 30° aniversário de sua morte
Sindicato dos jornalistas profissionais no Estado de São Paulo
Pinacoteca do Estado     São Paulo

2007

Pequenas grandes obras - Associação Profissional de Artistas Plásticos APAP
SESC Santana     São Paulo

5° Ciclo Multicultural - Instalação ID/BOX
Centro da Cultura Judaica     São Paulo

2009

Pequenas grandes obras – digital
Franchinis Galeria Porto     Portugal

 

PUBLICAÇÕES DO ARTISTA

1997

CAMADAS DE TEMPO: 30 ANOS NAS ARTES PLÁSTICAS,
São Paulo: Ed. Scipione, 1997.

1998

EM BUSCA DO TRAÇO PERDIDO,
São Paulo: EDUSP e Ed. Scipione, 1998.